segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Baby, baby...

To Steven, my teenage dream.


Oh my! My dear baby
There's no way I can pretend
Baby, baby I think I've fallen
Down in love with you again
A big bright full moon was shinnin'
In the skies of Sunday night
Our memories comming back
Us two there, side by side
Then you sang that song again
And then again it was so deep
That I flew lighter and higher
'till the floor was off my feet
I'd been missing you for sure
But I see you're still the same
I still shiver, blush and adore
Everytime you spell F. I N.E.
The way your voice turned out in flame
In that song you sang again
Made me wanna hold you bad
Made me really wanna bang
The way your voice still pleases me, baby
My dear old-good-boyfriend
Made me such a great surprise,
Made me fall (live, in love) for you again.




quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Rio

Rio de Janeiro, selva sem rei
Onde do Atlântico emergem auroras
Rio que gerou, nutriu e amamentou
(com as tetas murchas da descrença)
Cada um dos meus sonhos.

Você, Rio. Ah... você!

Com seu modo escroto de dizer que gosta,
Com suas gentilezas transgressoras
E tantas rudezas instituídas.
Rio, mulher da vida, do vai-da-valsa, do rendez -vous.
Rio senhora muito boa, nos dois sentidos da palavra.
Filha de mãe escrava, de cujas costas garimpo versos
E que no mistério fundo deve manter imersos
Os segredos de quando ainda era aquela.
Rio que borda em seus morros favelas
Que pesponteia nas beiras palácios
E em todas as veias tem algo que excita
Da Barão da Torre à Barão de Mesquita.
Que inunda meus olhos de azul e a pele de lama
Dos talheres de ouro e latrinas imundas
Que fecha uma porta e abre horizontes
Da gente aos montes,da terra fecunda,
Por tudo aquilo que é só seu e meu,
Ou eu enlouqueço, ou morro de amores.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Uma Alegria

A amizade é uma alegria
- Igual a do amor -
mas menos grave.
Parece que difere na matéria-prima mesmo:

Mais te falo na cara e tudo certo.
Menos não vivo sem você.
E há uma coisa boa em sentir saudade.

A amizade tem um quê de irmandade
Mas é também outro lance,
De ser meio fã,
De ser meio afim do outro

Terna e eternamente.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Alaíde

Observei atenta cada passo, cada gesto da crooner enquanto ela adentrava, delicada, o minúsculo recinto. Buscando apoios para os pés e mãos, concentrada, meio aérea, mas de modo algum alheia aos que lhe aguardavam: alguns bons amigos e um ou outro visitante por si desconhecido,como eu. Observei atenta cada coisa de diva. Os olhos mareados, duas doses de whisky no camarim, vestido preto em veludo, bolero bordado com finas e brilhantes lantejoulas. Delineador, pouco batom e como único adorno uma ônix circular caindo sobre o colo ainda belo e cheio. Não sei se em seu colo carregou criança, se amamentou. A ônix como símbolo dela mesma: sua negritude, sua solidez, seu brilho eterno de pedra preciosa. Seus setenta e oito anos de Brasil.
Minha ansiedade em ouvi-la ali tão de perto desencadeou numa crise asmática e o ar que me faltava veio também dela quando abriu a boca e a plenos pulmões entoou Estrada Branca. O ar veio dela, de seu timbre rouco, porque tudo o que havia em sua voz era generosidade e entrega. Ela abriu a boca e cantou. Cantou sentido, como cantam os pássaros noturnos de saudade da mata, como cantam as crianças suas primeiras cantigas de roda. Ouvi atenta cada acorde da compositora, parceira do inigualável Vinícius de Moraes, um Vinícius tão amigo, assim, Amigo Amado, como tantos outros que se foram no passo do tempo, no andamento das horas da vida que se espalha e desdobra em canção. Da vida e do amor que se revelam em Tom Jobim antes mesmo de nascermos e se findam na voz torta e improvável de Alaíde, felizmente, antes que nós e a nossa coisa mais bonita, morramos.
Foi embriagador como estar hoje de volta a uma onírica década, quando havia charme, elegância e sinceridade na voz dos artistas. Quando lhes confiávamos nossa história de amor mais secreta, ainda que escancarada no palco. Quando havia verdade e generosidade. Tudo aquilo que se gerou e fez marear os olhos e o coração do compositor – haverá ainda? Mesmo que a duras penas, numa casa pequena, para um grupo de conhecidos que apenas sonham juntos, haverá ainda? Se meu coração inundou-se de amor e estou viva?
A canção responde sim. Alaíde responde, sim!
Resta a nós envelhecermos aos poucos, suficientemente devagar para podermos degustar a textura de nosso tempo, o doce e o amargo do que houver. E assim como a grande Alaíde Costa, estarmos aí pro que der e vier, porque a arte é isso mesmo, camaradinhas. Um baú misterioso de alegrias e tristezas, de descontinuidades feitas de apenas uma coisa chamada gente, nem boa nem má.
Gente que se doa e vira beleza.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Enxerimento

Você saiu há meia hora
Mas teu perfume não vai embora
Que mania mais enxerida

(esta que você tem)

De perfumar a minha vida!

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Terceira Lua

Para Anna e Anita, com carinho e gratidão.

Já vejo a terceira Lua
Crescer do sopé da porta
Tem três meses meu benzinho
Que cheguei nesta paragem

Nem bem eu pousei na rua
Qual fosse uma folha morta
Tu me deste teu carinho
E a prova de amizade

Nesta casa eu renasci
Encontrei o solo fértil
E do adubo floresci
Um oásis do deserto

Já é hora, a marcha canta
E eu devo ir-me embora
Agradeço, ó minha santa
Cada qual bendita hora

Já vejo a terceira Lua
Minguar cá nesta paragem
Tem três meses meu benzinho,
Que eu cheguei só de passagem.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Redondezas

Tenho usado caminhar à toa
Sem rumo certo, errante apenas
Em horas tão cedo que ninguém se move
Ou quando melindram as tardes amenas

Vou pisando as calçadas de pés doloridos
Tornozelos cansados, pesadas chinelas
E sorrio pros bichos nos cantos famintos,
São bem como as deles as minhas mazelas

As ruas me levam em sua correnteza
Mas eu não sou pau! Mas eu não sou folha!
Não há fio de ferro que me corte o sonho
Não há pé de vento que o afinco me tolha

Se vou escorrendo, boiando nas ruas
Pisando as calçadas com patas dormentes
É que desde o dia em que vi os teus olhos
Meu corpo padece de algum mal latente:

Eu vou caminhando e pressinto holofotes
A brisa se move e carrega os cabelos
Me sinto mais bela, mais viva e mais forte
A Deus e à Sorte confio segredos

Tenho usado (sempre) caminhar à toa
Mas desde que eu soube que tu vives perto,
Esquinas do meu coração têm mais graça
E nem me recordo viver num deserto.